O volume de crédito rural concedido em Mato Grosso do Sul caiu 39,56% em abril de 2026, na comparação com março. Os financiamentos liberados no Estado somaram R$ 931,1 milhões no mês, segundo levantamento da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), com base em dados do Banco Central. Em março, as concessões haviam alcançado R$ 1,54 bilhão.
A queda acompanha a desaceleração observada no cenário nacional. Em todo o país, o crédito rural recuou para R$ 21,3 bilhões em abril, retração de 29,36% frente a março e de 21,17% na comparação anual. O movimento ocorre após o período de maior demanda por recursos ligado ao plantio da segunda safra de milho e ao encerramento do ciclo da soja.
O custeio permaneceu como principal destino dos recursos em Mato Grosso do Sul. A modalidade concentrou R$ 696,17 milhões, equivalentes a 75% de todo o crédito liberado no Estado em abril. Os produtores seguem direcionando recursos para manutenção da atividade produtiva, com despesas ligadas a insumos, sementes, defensivos e custos operacionais das lavouras.
A agricultura movimentou R$ 561,2 milhões no período, valor 26,7% inferior ao registrado em abril de 2025. Já a pecuária foi o único segmento a crescer na comparação anual, avançando 5,05% e encerrando o mês com R$ 369,9 milhões em crédito disponibilizado. A agricultura respondeu por 60,27% de todo o crédito rural concedido no Estado.
Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Flores Gimenes, o cenário reflete maior prudência. “O crédito segue concentrado no custeio da produção, especialmente das lavouras de soja e milho, enquanto as operações de investimento continuam mais retraídas diante do custo elevado do crédito e da maior seletividade bancária”, afirmou.
O crédito para investimento totalizou R$ 176,4 milhões, queda mensal de 44,04%. As operações de comercialização somaram R$ 38,5 milhões, recuo de 61,62%, enquanto a industrialização ficou em R$ 20 milhões, com retração de 91,24% frente a março. A análise aponta que os produtores têm priorizado a manutenção da produção corrente e adiado investimentos estruturais.
Os bancos públicos lideraram as liberações, concentrando 60,79% do crédito concedido em abril, equivalente a R$ 579,09 milhões. O segmento sofreu retração de 45,32% na comparação com março. Bancos privados e cooperativas registraram queda de 26,87%.
As operações sem vinculação a programas específicos predominaram. Nas linhas de custeio, essas operações somaram R$ 517,11 milhões em abril. O Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) concentrou R$ 170,15 milhões e o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) movimentou R$ 8,92 milhões. No investimento, as operações sem programa totalizaram R$ 127,9 milhões.
