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Recontagem de votos de 2022 pode alterar cadeira na Alems

O TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) anulou os 32.566 votos recebidos pelo ex-deputado federal Loester Carlos Gomes de Souza (Tio Trutis, PL) e por sua ex-esposa, Raquelle Lisboa Alves Souza (PL). A decisão, expedida pelo presidente da Corte, desembargador Carlos Eduardo Contar, também determina a recontagem dos votos da eleição de 2022 em Mato Grosso do Sul.

Segundo o despacho, a medida poderá alterar o resultado do último pleito. “Caso o reprocessamento do resultado promova a alteração dos eleitos e da ordem de suplência, sejam expedidos novos diplomas e cancelados os anteriores”, diz o documento. Contar ainda determina que a Mesa Diretora da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) seja comunicada.

O ex-casal foi condenado por desvio de recursos do fundo eleitoral. O Tribunal concluiu que o casal utilizou duas empresas para dissimular movimentações ilícitas de recursos públicos e praticar lavagem de dinheiro. As empresas teriam recebido valores cruzados pelos dois candidatos, em proporções inversas, o que levantou suspeita de tentativa de simular serviços e mascarar o desvio de recursos. Juntas, as operações somaram R$ 776 mil considerados ilícitos.

Tio Trutis concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto a ex-esposa disputou uma cadeira na Casa de Leis estadual. Sem os 10.782 votos de Raquelle, o PL (Partido Liberal) deve perder uma das três vagas da Assembleia Legislativa conquistadas na última eleição. A vaga deve ficar com o PSDB, conforme aponta o primeiro suplente, João César Mattogrosso. Hoje, ele ocupa o cargo de diretor-adjunto do Detran (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul). “Eu nem estava acompanhando este caso, fiquei sabendo pela mídia e, de fato, a vaga é do PSDB”, disse ao Campo Grande News.

Mattogrosso já cumpriu um mandato tampão, enquanto o deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) era titular da Casa Civil do governador Eduardo Riedel (PP). O tucano afirmou que, se for convocado, tem intenção de voltar à Casa de Leis. “Se o processo fosse mais rápido, teria assumido desde o início. Se eu não voltar, seria irresponsável com os meus eleitores”, afirmou. Segundo ele, a recontagem dos votos será feita na próxima quinta-feira (21). Na sequência, a Assembleia será comunicada e o presidente da Casa, deputado Gerson Claro (PP), dará andamento à mudança.

Em decisão final, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já havia condenado Trutis e a esposa por lavagem de dinheiro do fundão eleitoral. Um juiz também determinou que Trutis mantenha distância e proibiu contato com a ex-esposa. O TSE manteve a condenação do ex-casal pelo desvio de R$ 776 mil. Além disso, o CPF do ex-deputado de Mato Grosso do Sul foi usado em 3,6 mil consultas irregulares.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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