Um paciente internado na Santa Casa de Campo Grande aguarda há nove dias pela realização de um exame de ressonância magnética. A demora impede o diagnóstico e o início do tratamento de Jeferson Carvalho, de 49 anos, que está hospitalizado há 12 dias. A informação foi dada pela esposa dele, Rozivania de Sá Silva.
De acordo com a família, a equipe da instituição informou que o equipamento de ressonância da unidade está em manutenção. “Meu esposo está aqui sem diagnóstico nenhum. Precisa fazer essa ressonância para saber o que ele tem e iniciar o tratamento”, relatou Rozivania.
Jeferson é aposentado por invalidez e tem histórico de doenças cardíacas, diabetes, hipertensão, neuropatia diabética e fibrilação. Ele procurou atendimento depois de passar cerca de um mês com dores intensas, que começam no quadril e descem até a metade da panturrilha. A esposa conta que ele ficou mais de cinco dias sem dormir por causa da dor. “Quando os médicos perguntavam para ele dar uma nota de zero a dez, ele respondia que era 20, porque era uma dor insuportável”, disse.
O paciente foi atendido inicialmente em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde foi medicado com tramadol. Sem melhora, foi encaminhado para investigação e conseguiu vaga na Santa Casa no sábado à noite, por meio da regulação. No hospital, ele passou por duas tomografias, mas os exames não identificaram a origem do problema. A equipe médica então pediu uma ressonância magnética.
Enquanto aguarda o exame, o estado de saúde de Jeferson piora. Segundo Rozivania, ele está perdendo a musculatura da perna e, em alguns momentos, não sente mais os membros. “A médica falou que é visível essa perda de massa, mas precisa da ressonância para descobrir onde está o problema e começar o tratamento”.
Ela afirma que o marido segue com as medicações de uso contínuo e que os médicos só receitaram dipirona para alívio das dores. “Os médicos passam todos os dias, mas dizem que não podem fazer nada porque ele não tem diagnóstico. Primeiro deram tramadol, mas ele teve reação. Agora só estão dando apenas dipirona.”
Outra preocupação é um sangramento na sonda utilizada pelo paciente. “Meu marido está sangrando pela sonda e eles não fazem nada. A médica disse que é sangue vivo, mas reforçou que precisa da ressonância para descobrir o que está acontecendo”, contou a esposa.
A família recebe diariamente a informação de que o equipamento será consertado, mas o exame segue sem previsão. “Todo dia falam que a máquina vai ficar pronta. Hoje me ligaram dizendo que o conserto estava previsto para hoje, mas que ele ainda não faria a ressonância”, afirmou.
A reportagem procurou a Santa Casa de Campo Grande para saber o motivo da interrupção dos exames, quantos pacientes aguardam pelo procedimento, se há encaminhamento para outras unidades e a previsão para normalização do serviço. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.
