Apesar de ter a terceira maior população indígena do Brasil, Mato Grosso do Sul elegeu apenas 41 candidatos indígenas nos últimos dez anos. Entre 2014 e 2024, o estado registrou 676 candidaturas indígenas, mas somente 6% delas resultaram em mandato. Todos os eleitos conquistaram vagas de vereador.
Os dados são de um levantamento do Observatório da Cidadania, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), com base em informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O estudo mostra que a presença de indígenas em espaços de poder ainda é limitada, mesmo com a participação eleitoral desses povos sendo maior que a média nacional.
Na década analisada, Mato Grosso do Sul teve apenas uma candidatura indígena ao governo do estado, a de Magno Souza (PCO), em 2022. Nenhum indígena foi eleito para cargos do Executivo, como prefeito, vice-prefeito ou governador, nem para o Legislativo estadual ou federal.
Os 41 eleitos conquistaram vagas em câmaras municipais de 13 cidades: Amambai, Antônio João, Caarapó, Coronel Sapucaia, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Japorã, Miranda, Nioaque, Paranhos, Porto Murtinho, Sidrolândia e Tacuru.
No período, as candidaturas indígenas representaram 2,7% do total de candidatos em Mato Grosso do Sul. Em todo o país, esse percentual foi de 0,43%, com 6.913 candidaturas indígenas entre 1.602.625 registros. A conversão em mandatos também é baixa nacionalmente: apenas 654 indígenas foram eleitos, índice inferior a 10%.
O levantamento destaca que a participação eleitoral é um indicador de inclusão democrática, especialmente em um estado que reúne povos como Guarani, Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Kinikinau, Ofaié e Guató.
Segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, Mato Grosso do Sul tem 116.469 indígenas, o equivalente a 6,9% do total nacional. A maior parte dessa população é formada por jovens entre 15 e 29 anos. Os municípios com mais indígenas são Campo Grande, com 18.439 habitantes, e Dourados, com 12.054.
