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IHP pede mais estudos para dragagem na Hidrovia do Paraguai

IHP pede mais estudos para dragagem na Hidrovia do Paraguai

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) pediu que a ampliação da dragagem na Hidrovia do Paraguai seja precedida por estudos técnicos mais aprofundados. A medida, segundo a entidade, é necessária para evitar impactos sobre o regime de inundações do Pantanal.

A declaração foi feita pelo presidente do IHP, Ângelo Rabelo, durante o seminário “Horizontes da Economia Azul”, promovido pelo Comando do 6º Distrito Naval da Marinha, no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, nesta sexta-feira (10). Rabelo afirmou que a dragagem de manutenção é necessária para garantir a navegabilidade, mas que intervenções para aprofundar o canal exigem critérios mais rigorosos.

“A dragagem de manutenção é necessária. Já a dragagem de aprofundamento precisa ser analisada de maneira muito cuidadosa, porque pode haver uma relação de causa e efeito com o regime de inundações”, disse Rabelo. Ele destacou que o Pantanal enfrenta uma das maiores crises hídricas de sua história e que não se pode avançar sem estudos adicionais.

Segundo Rabelo, o processo não pode ser feito de forma abrupta. “Se isso acontecer, seremos contra”, afirmou. Ele ressaltou que é usuário da hidrovia e reconhece sua importância para a economia regional, mas defendeu que a manutenção da navegabilidade deve caminhar ao lado da conservação ambiental.

O presidente do IHP lembrou que o rio Paraguai integra uma bacia internacional. Para ele, qualquer decisão sobre a gestão do rio precisa envolver os países vizinhos, como o Paraguai. “O que acontece lá produz efeitos aqui, e o que acontece aqui produz efeitos lá”, afirmou.

Rabelo também chamou atenção para a falta de investimentos na manutenção da hidrovia nos últimos 30 anos. Segundo ele, a bacia recebe sedimentos continuamente e a falta de intervenção tem causado restrições ao turismo e aumento de acidentes com embarcações. Ele ainda alertou para a redução do espelho d’água no Pantanal e a perda de cobertura vegetal nas nascentes do Rio Paraguai.

O comandante do 6º Distrito Naval, contra-almirante Emerson Augusto Serafim, defendeu a construção conjunta de soluções para a hidrovia. Ele afirmou que a discussão deve envolver setor público, iniciativa privada, academia, ambientalistas, turismo e profissionais da navegação.

“O rio Paraguai-Paraná não pode ser discutido apenas por um ou dois atores”, disse Serafim. Ele lembrou que a Marinha completará 200 anos de presença no Centro-Oeste em fevereiro de 2027. Segundo ele, a trajetória da instituição está ligada ao desbravamento da região e ao desenvolvimento econômico.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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