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Deixou CLT para lucrar com pastel e virar patrão

Bryan Seiti Inoue, de 34 anos, largou a CLT para se tornar patrão e lucrar com a venda de pastéis em feiras de Campo Grande. O negócio da família, que antes era motivo de bullying na escola, hoje emprega mais de dez famílias e produz mais de 1 tonelada de massa por mês.

Na adolescência, Bryan tinha vergonha das brincadeiras dos colegas, que o chamavam de “vai fritar pastel, japonês” e imitavam o sotaque da família com frases como “pastel de flango”. Para fugir do legado dos pais, ele estudou e se formou em administração de empresas, além de fazer pós-graduação em didática e metodologia de ensino superior.

Após trabalhar como estagiário e professor em cursos técnicos, com carga horária de 12 horas diárias, Bryan percebeu que o sucesso profissional que buscava não estava no mercado formal. Em 2017, quando sua mãe ficou doente, ele decidiu assumir a barraca da família e aplicar os conhecimentos da faculdade no negócio.

A barraca, que vendia 50 kg de massa por semana com máquinas antigas, se transformou em uma fábrica com maquinário moderno. Hoje, a produção mensal passa de 1 tonelada, chegando perto de 2 toneladas em épocas de festa junina. A família fornece pastéis para padarias, lanchonetes e festas da região.

O pai de Bryan, Leizo Inoue, de 81 anos, conhecido como Paulo na feira, ainda participa das vendas aos domingos no bairro Guanandi. A barraca atende de terça a domingo em diferentes bairros de Campo Grande. Só em um domingo, a família vendeu quase 1.300 pastéis, fora coxinhas e quibes. Na semana, o total chega a quase 4 mil unidades.

Bryan afirma que ser patrão foi a melhor decisão financeira que tomou. Ele já conseguiu viajar para a Europa com o dinheiro do negócio. “Sou pós-graduado e vendo pastel”, diz. O empreendedor se orgulha de ter mantido o legado dos pais e de ajudar os funcionários, a quem chama de “14 filhos” que ganhou depois que virou empresário.

A história da barraca começou em 1988, quando Leizo e Sumie Inoue deixaram São Paulo para ser feirantes em Campo Grande. Antes disso, a família trabalhou na lavoura colhendo laranja em Lins e algodão e café em Assaí, no Paraná. O tio de Bryan, Massaru Ito, foi o primeiro a vir para a cidade vendendo verduras e depois convocou o irmão para o ramo de pastéis.

Bryan faz questão de trabalhar ao lado dos funcionários e seguir o conselho do pai: “o olho do dono que engorda o gado”. Ele afirma que a liderança é feita com exemplo, não com ordens.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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