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Crise na saúde: Sesau cria força-tarefa para reorganizar rede

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande criou um grupo de trabalho para estudar mudanças na Rede de Assistência à Saúde (RAS) do município. A equipe terá 90 dias para apresentar um relatório conclusivo com diagnóstico, diretrizes e propostas para reorganização da rede municipal de saúde. A medida foi publicada em resolução nesta segunda-feira (11), no Diogrande (Diário Oficial).

O sistema de saúde em Campo Grande é alvo de constantes reclamações dos usuários, por conta da demora no atendimento ou falta de profissionais. No dia 29 de abril, a morte de menina de 8 anos evidenciou ainda mais a situação, depois que ela passou por quatro unidades de saúde.

Na prática, a RAS funciona como o “mapa” que organiza o atendimento dentro do SUS. É ela que conecta postos de saúde, UPAs, centros especializados, hospitais, exames e serviços de encaminhamento para tentar evitar um sistema fragmentado.

Segundo o texto, o objetivo do grupo será analisar a estrutura atual da rede pública e propor medidas para reorganizar os serviços oferecidos à população. A justificativa da Sesau é a necessidade de melhorar a eficiência, ampliar o acesso e garantir mais integração no atendimento. O grupo será formado por representantes titulares e suplentes de diversos setores da secretaria. A participação será considerada serviço público relevante, sem pagamento adicional aos integrantes.

Neste ano, o Campo Grande News mostrou casos de pacientes esperando horas por atendimento nas UPAs Leblon, Universitária e Moreninhas, além de relatos de falta de médicos na UPA Coronel Antonino, onde usuários afirmaram aguardar mais de quatro horas mesmo em situações consideradas prioritárias.

No dia 29 de abril, a menina Hannah Julia, de 8 anos, morreu após passar quatro vezes por unidades de saúde da Capital, incluindo três atendimentos na UPA Leblon. A família questiona a assistência prestada e aponta falhas no atendimento.

A menina foi levada ao Centro Regional de Saúde em 24 de abril por estar com sintomas respiratórios e febre alta. Os primeiros exames apontaram um quadro viral. Foi levada à UPA no dia 27, após uma piora. A glicemia foi aferida e estava em 151 mg/dL, de acordo com o que Sara ouviu de uma médica. “Ela disse que era normal, mas estranhei”, afirma.

No CRS e na UPA, a paciente recebeu dipirona e soro fisiológico. Os pais foram orientados a levar a criança para casa três vezes. Só teriam que retornar caso ela se sentisse mal novamente. Com vômitos constantes e inchaço ao redor dos olhos, ela esteve na UPA Leblon duas vezes no dia 28. Na última ida, já estava pálida, com dores em todo o corpo, inclusive na nuca, e não conseguia andar. Outro sintoma era calafrio. Um raio-x e mais outros novos exames seriam feitos, mas a mãe pediu que a medicação fosse dada antes devido ao estado da menina. O atestado de óbito que a família recebeu diz que houve uma parada cardiorrespiratória com choque por motivo a esclarecer.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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