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Frio de 11°C agrava dor crônica e expõe falhas no SUS

Frio de 11°C agrava dor crônica e expõe falhas no SUS

Pessoas que convivem com dor crônica em Campo Grande enfrentam ainda mais dificuldades em dias frios, como nesta terça-feira (23), quando a cidade amanheceu com temperatura de 11°C. Além do desconforto físico, essas pessoas lidam com a falta de acesso a especialistas e obstáculos para conseguir afastamento do trabalho e realizar sonhos como ter uma carreira ou viajar.

Katherine Cordeiro, 35, tem lúpus e relata que tanto o sol quanto o frio pioram suas dores e hematomas. O frio enrijece as articulações, enquanto a luz solar causa manchas vermelhas pelo corpo. Ela precisou parar de tomar medicamentos que controlavam a doença por causa de problemas nos rins. Katherine conta que já ouviu comentários como “isso é coisa da sua cabeça” e “frescura”.

Ela trabalhava como analista de recursos humanos e fez um MBA, mas descobriu o lúpus há seis anos. O diagnóstico veio na rede privada, e hoje ela depende mais do sistema público. “Você demora mais de um ano para se consultar com um especialista”, afirma. O último pedido de afastamento pelo INSS foi negado, e ela recorre com ajuda de uma advogada. Katherine criou o Instituto Asas de Esperança para apoiar outros pacientes.

Gleysi Rezende, 46, tem esclerose múltipla, artrite reumatoide e fibromialgia. Ela conta que levou uma hora para se levantar e sente o corpo “travado”. Antes dos sintomas, vendia consórcios e viajava com frequência. Conseguiu se aposentar por incapacidade permanente após cirurgia na coluna. O diagnóstico veio em 2014, após falsos positivos. Ela paga plano de saúde para ter acesso a vários especialistas e acredita que, na rede pública, não conseguiria estabilizar os sintomas.

Luane Morais, 34, também tem lúpus e descobriu a doença em 2011. Ela enfrenta dificuldades no SUS e na rede privada. “Na rede pública não fizeram o principal exame para saber se a doença está ativa”, diz. Após o diagnóstico, pensou que não realizaria seus sonhos. Ela precisou parar o medicamento por um problema na retina.

A reumatologista Túlia Figueiredo afirma que o perfil mais comum de pacientes com dor crônica são mulheres entre 30 e 60 anos. “Muitos convivem com os sintomas por bastante tempo antes do diagnóstico”, diz. As causas mais comuns são artrose, fibromialgia e doenças inflamatórias da coluna. O tratamento deve ser multidisciplinar, com acompanhamento médico, fisioterapia e suporte psicológico.

A médica explica que o frio piora a dor porque favorece a contratura muscular e aumenta a rigidez articular. Ela recomenda manter atividade física, fazer alongamentos, usar roupas adequadas e tomar banhos mornos.

No início de julho, foi publicada uma lei que cria diretrizes nacionais para atendimento de pacientes com dor crônica no SUS. A Sesau informou que o sistema já prevê cuidado integral e que os postos de saúde são a porta de entrada, com encaminhamento para especialistas quando necessário.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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