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Contrato de R$ 4,2 milhões salta para R$ 23 milhões

Um contrato de tapa-buraco que começou com valor de R$ 4,2 milhões e chegou a uma despesa superior a R$ 20 milhões, após uma série de aditivos, é um dos alvos principais da investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), braço do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

De acordo com a investigação, a empresa Construtora Rial Ltda venceu a licitação para a recomposição da estrutura de pavimentação na Região do Segredo, em Campo Grande. O contrato inicial, assinado em julho de 2022, era de R$ 4.288.013,74. Com os aditivos, o valor total da obra chegou a R$ 21.355.970,06, segundo o MPMS.

Na última terça-feira (12), a Operação Buraco Sem Fim prendeu o ex-titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, que assinou o primeiro contrato. Também foram presos Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, sócio-administrador da Construtora Rial, e seu pai, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como “Peteca”. Para os investigadores, Antônio Roberto é o verdadeiro tomador de decisões da empresa, atuando como sócio oculto.

Durante a operação, foram apreendidos R$ 429 mil em espécie. Mais da metade desse valor estava na casa de Antônio Roberto. Outros maços de dinheiro foram encontrados na residência de Rudi Fiorese.

Uma consulta ao Portal da Transparência da Prefeitura de Campo Grande, feita na quinta-feira (14), apontou um valor final do contrato ainda maior: R$ 23.630.404,98, sendo R$ 19.342.391,24 apenas em aditivos. O contrato, com prazo inicial de 12 meses, foi prorrogado sucessivamente e, atualmente, está vigente até julho de 2026.

Os aditivos foram assinados por outros dois secretários que passaram pela Sisep após a saída de Fiorese. O contrato teve reajustes e prorrogações, incluindo um aumento de 20,64% em março de 2024 e um reajuste de 29,484% em fevereiro deste ano.

Repercussão e defesa

O vereador Marquinhos Trad (PV), que foi prefeito de Campo Grande até abril de 2022, afirmou que a Construtora Rial nunca prestou serviços de tapa-buraco em sua gestão. Ele disse que a citação do MPMS é equivocada e que a empresa não foi investigada na Operação Cascalhos de Areia.

A Sisep informou, por meio de nota, que acompanha os trabalhos do Gecoc e que servidores investigados foram exonerados. A pasta disse que outras medidas serão adotadas para que os serviços de manutenção não sejam paralisados.

O advogado Werther Sibut de Araújo, que defende o ex-secretário Rudi Fiorese, afirmou que a prisão não se justifica e que a defesa prepara um pedido de habeas corpus ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Segundo ele, a operação trata dos mesmos fatos já investigados na Operação Cascalho de Areia, de 2023. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos empresários presos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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