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Computação vira currículo obrigatório nas escolas de Campo Grande

Computação vira currículo obrigatório nas escolas de Campo Grande

O Diário Oficial de Campo Grande desta segunda-feira (10) publicou a criação do Referencial Curricular da Computação para a Educação Básica da Reme (Rede Municipal de Ensino). A medida, determinada pelo CME (Conselho Municipal de Educação), torna obrigatório o ensino de habilidades e conteúdos de computação em todas as etapas da Educação Básica, complementando o currículo já adotado pelas escolas municipais conforme as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.

A mudança não se resume a colocar alunos diante de computadores ou criar laboratórios de informática. O objetivo é definir o que os estudantes devem aprender sobre tecnologia em cada etapa escolar e integrar esses conhecimentos às atividades regulares das escolas. O referencial está organizado em três eixos principais: Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital, que deverão ser trabalhados de forma transversal nas diferentes disciplinas da rede.

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a Computação não será uma disciplina separada. O documento determina que esses conhecimentos podem ser abordados em Português, Matemática, Ciências, Geografia, História, Arte, Educação Física e outros componentes. Uma atividade de Matemática, por exemplo, pode trabalhar lógica e reconhecimento de padrões, enquanto uma aula de Português pode discutir a circulação de informações na internet. O foco deixa de ser apenas ensinar o aluno a operar um computador e passa a incluir a compreensão de como a tecnologia funciona e interfere na vida cotidiana.

Na Educação Infantil, a proposta inclui atividades como resolução de problemas, identificação de padrões, organização de sequências, comunicação e pensamento lógico. O documento prevê atividades “desplugadas”, com jogos, brincadeiras, narrativas e situações cotidianas, e afirma que a Computação nessa faixa etária “não se restringe somente ao uso de dispositivos tecnológicos”.

Nos anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano, o conteúdo dialoga mais diretamente com a realidade digital dos adolescentes. O texto cita o contato intenso dos estudantes com telas, plataformas, jogos e redes sociais e defende uma compreensão mais sistemática desse ambiente. Entram na discussão temas como desinformação, privacidade de dados, saúde e tecnologia, sustentabilidade digital, representatividade nas mídias e impactos ambientais do consumo de equipamentos e serviços tecnológicos.

O referencial também contempla a EJA (Educação de Jovens e Adultos), com foco no uso crítico, ético e consciente das tecnologias e na relação dessas ferramentas com o trabalho e a participação na sociedade.

Ao aprovar o documento, o CME recomendou que a prefeitura mantenha uma política permanente de formação de professores, atualize os projetos pedagógicos das unidades e garanta recursos tecnológicos, conexão à internet e manutenção periódica dos equipamentos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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