O jornalista, escritor e apresentador Pedro Bial afirmou que o mundo caminha para uma realidade com menos leitores e escritores, durante sua participação na 10ª FLIB (Feira Literária de Bonito), neste sábado (11). Para ele, o avanço da inteligência artificial contribui para esse cenário. “Estamos caminhando para um mundo sem leitores e também sem escritores”, disse.
Segundo Bial, a inteligência artificial já consegue produzir determinados tipos de texto, o que reduz a necessidade da escrita para boa parte das pessoas. “Você não precisa mais escrever. Pede para a inteligência artificial escrever. Para determinado tipo de comunicação talvez isso seja suficiente”, afirmou. Ele acrescentou que apenas quem escolheu a escrita como ofício precisará dela para se expressar.
Bial evitou um discurso pessimista. Ele reconheceu que os leitores já são um grupo pequeno, mas defendeu que esse público precisa preservar sua identidade. “Nós, leitores e escritores, somos um nicho. Cada vez seremos mais um nicho. Precisamos nos organizar e afirmar a nossa identidade. Se somos poucos, seremos poucos, mas seremos”, declarou.
O escritor destacou o que considera um paradoxo brasileiro. Pesquisas apontam baixos índices de leitura, mas as feiras literárias continuam atraindo grande público. “Que país é esse? É o país que não lê ou é o país que lota feiras de literatura?”, questionou. Para Bial, o Brasil é difícil de enquadrar em uma única explicação.
Na avaliação dele, embora os livros enfrentem concorrência das redes sociais e dos vídeos, as pessoas ainda dedicam muitas horas à leitura no ambiente digital. “As pessoas passam muito tempo na internet. É verdade que hoje há muito vídeo, mas também se lê muito e se escreve muito nas redes. Temos de enfrentar essa ambivalência”, disse.
Antes da palestra, Bial afirmou que participar de uma feira literária é um incentivo. “Quando alguém sai de casa para conversar comigo em uma feira literária, eu sei que já chega com boa vontade. E quando encontro alguém que leu o livro, fico muito feliz, porque isso não acontece tanto assim”, comentou.
O jornalista também refletiu sobre sua trajetória entre a reportagem e a literatura. Segundo ele, convive com um diálogo permanente entre o escritor e o jornalista. “O escritor quer interpretar o mundo, enquanto o jornalista pergunta: ‘Qual é a notícia? Seja claro’. Um baixa a bola do outro”, afirmou.
A FLIB segue até domingo (12), com entrada gratuita. A programação completa está disponível no site oficial do evento.
