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Projetos sociais transformam realidade no violento Parque do Lageado

Projetos sociais transformam realidade no violento Parque do Lageado

O Parque do Lageado, em Campo Grande, concentra a segunda menor renda per capita da cidade, com R$ 332,65, e a segunda maior taxa de analfabetismo, de 9,55%, segundo o Censo 2022 do IBGE. O bairro, que tem 16.653 habitantes, fica atrás apenas do Caiobá em renda e do vizinho Los Angeles em analfabetismo.

Criado na década de 80 a partir da desapropriação de fazendas, o Lageado cresceu ao redor do Presídio Federal, de uma estação de tratamento de esgoto e do antigo lixão da Capital. A expansão pressionou a Bacia do Córrego Lajeado, que é importante para o abastecimento de água, mas está entre as mais degradadas.

No ano passado, o bairro foi um dos que mais registrou homicídios, segundo a Sejusp. O último crime deste ano foi a morte de Luiz Guilherme da Costa dos Santos, de 20 anos, baleado em uma quadra de futebol no dia 3 de junho.

Moradores antigos lembram de disputas entre gangues. “Aqui, para respeitar, é só o Choque”, afirma Lucilene Santana, de 36 anos, que vive no bairro há seis anos. Ela e o marido compraram uma casa por R$ 85 mil, sem saber da frequência de viaturas no local. Apesar do medo, Lucilene se dedica ao trabalho voluntário.

Um dos projetos mais antigos é o Instituto Misericordes, criado em 2013 no meio do antigo lixão pelo padre Agenor Martins. Hoje, o trabalho é mantido por voluntárias. O projeto atende crianças de 6 a 15 anos com refeições, reforço escolar, esportes e educação ambiental. Cerca de 80 famílias são beneficiadas.

A presidente Nilda Silva diz que os assistidos cresceram e hoje trabalham no bairro. O projeto também usa a “misereca”, uma cédula fictícia para ensinar educação financeira. O Instituto é mantido por emendas parlamentares, convênio com a prefeitura e doações.

Perto dali, os projetos Fraternidade Despertar e Opammas funcionam em um espaço doado por um empresário. O local, reativado há três meses, oferece aulas de informática, artes, esportes e cultivo de horta. O voluntário Gilson Martins conta que algumas crianças chegam sem ter comido e passaram a receber almoço.

Inaugurado há quase um ano, o CEU das Artes abriga um CRAS e salas para atividades culturais e esportivas. O coordenador Ismael de Deus Lima diz que o local ainda precisa de um gestor para a área aberta e de ar-condicionado para o auditório. A maioria dos atendimentos do CRAS acolhe mães solo.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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