Apontado como sócio oculto da Construtora Rial Ltda, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, de 70 anos, conhecido como “Peteca”, deixou a prisão no Centro de Triagem e passou a usar tornozeleira eletrônica. O monitoramento foi instalado no sábado (dia 16), no mesmo dia da decisão judicial. Ele havia sido preso na terça-feira (dia 12), durante a Operação Buraco Sem Fim, realizada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, afirmou que existem “indícios concretos” de participação do investigado no esquema. No entanto, ela considerou que o estado de saúde de Peteca justificou a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar. “Há indícios concretos quanto ao requerente atuar como sócio oculto da Construtora Rial Ltda., exercendo controle direto sobre a atuação da empresa”, diz um trecho da decisão.
A magistrada destacou os problemas de saúde do investigado. Documentos médicos indicam que ele sofre de nefropatia (doença renal) e diabetes crônica, necessitando de acompanhamento frequente. “O requerente demonstra um quadro de saúde complexo e de grave debilidade”, escreveu a juíza na decisão.
Para a investigação, Antônio Roberto é o verdadeiro tomador de decisões da empresa, que está registrada em nome do filho e da esposa. O filho de “Peteca”, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, também foi preso na operação. “Por trás da fachada formal da empresa, os elementos apontam para a atuação proeminente de Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, o Peteca, identificado como sócio oculto e verdadeiro tomador de decisões”, informou o Gecoc.
Dos R$ 429 mil em espécie apreendidos durante a operação, R$ 233 mil estavam na casa de Antônio Roberto. A investigação aponta a existência de uma organização criminosa que fraudava, de forma sistemática, a execução do serviço de manutenção de vias públicas em Campo Grande. O esquema envolvia manipulação de medições e pagamentos indevidos.
Um levantamento do Gecoc indica que, entre 2018 e 2025, a Construtora Rial Ltda. obteve contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02. O advogado William Maksoud Machado confirmou que o empresário já está em regime domiciliar, conforme a decisão judicial.
