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Juiz mantém preso militar que matou vigilante em acidente

Juiz mantém preso militar que matou vigilante em acidente

O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, manteve preso o militar do Exército Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, acusado de provocar o acidente que matou a vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos, na manhã de 20 de junho, no cruzamento das ruas Maracaju e Padre João Crippa, no Centro de Campo Grande.

Em despacho publicado nesta quarta-feira (24), o magistrado informou que o pedido de liberdade apresentado pela defesa perdeu o efeito porque foi protocolado antes da audiência de custódia, quando a prisão em flagrante já havia sido convertida em preventiva.

Na decisão, o juiz explica que não havia mais motivo para analisar o requerimento, já que a situação do militar foi definida durante a audiência de custódia. Na ocasião, a Justiça entendeu que ele deveria permanecer preso enquanto o caso é investigado. O magistrado também determinou que o processo aguarde a conclusão do inquérito policial.

Antes do despacho, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) informou que também não se manifestaria sobre o pedido de liberdade, justamente porque a prisão preventiva já havia sido decretada. O órgão apenas registrou ciência dos documentos anexados ao processo, entre eles o boletim de ocorrência, o auto de prisão em flagrante, a audiência de custódia e o mandado de prisão.

Victor foi preso poucas horas depois do acidente que matou Miriam. Segundo a investigação, ele dirigia uma caminhonete Chevrolet S10 pela Rua Maracaju quando atingiu a motocicleta pilotada pela vigilante, que seguia pela Rua Padre João Crippa para o trabalho. Com a força da batida, a vítima foi arremessada por cerca de 50 metros e morreu no local.

A Polícia Civil apurou que, minutos antes da colisão fatal, o militar havia batido de raspão em outro veículo na região central e deixou o local. Em seguida, passou a trafegar em alta velocidade. Imagens de câmeras de segurança mostram a caminhonete ultrapassando carros parados no semáforo e entrando no cruzamento quando o sinal estava vermelho para o seu sentido, momento em que atingiu a motocicleta.

Após o impacto, a caminhonete percorreu vários metros, subiu na calçada e atingiu uma árvore, grades e a fachada de uma clínica particular. Dentro do veículo, policiais encontraram uma garrafa de bebida alcoólica parcialmente consumida.

Embora tenha recebido atendimento médico logo após o acidente, Victor aceitou fazer o teste do bafômetro cerca de quatro horas depois. O exame apontou 0,42 miligrama de álcool por litro de ar alveolar. Policiais também relataram que ele apresentava “sinais de embriaguez, como olhos avermelhados, fala alterada e hálito etílico”.

Em depoimento, o militar afirmou que consumia bebida alcoólica desde a madrugada e disse que tentou atravessar o cruzamento para fugir de um motorista que o perseguia após uma discussão de trânsito. Ele também declarou que entrou em choque ao saber da morte da motociclista. Em um vídeo gravado logo após o acidente, aparece dizendo ao amigo: “Eu matei alguém, isso não tem perdão”.

Natural de Mato Grosso, Miriam morava havia cerca de 20 anos em Campo Grande. Familiares contaram que ela levava uma vida tranquila e seguia para o trabalho quando foi atingida pela caminhonete.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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