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Incêndios no Pantanal recolocam arara-azul na lista de vulneráveis

Incêndios no Pantanal recolocam arara-azul na lista de vulneráveis

A arara-azul-grande voltou a integrar a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, agora na categoria Vulnerável (VU). A mudança foi publicada no Diário Oficial da União pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Para a bióloga Neiva Guedes, fundadora e presidente do Instituto Arara Azul, os grandes incêndios no Pantanal foram o principal motivo para o retorno da ave à lista.

A espécie é reconhecida como símbolo de Mato Grosso do Sul pela Lei Estadual nº 6.442, de 2025. Segundo Neiva Guedes, a arara-azul é muito sensível a mudanças no ambiente porque depende de poucos recursos naturais. Sua alimentação se baseia em duas espécies de palmeiras, e a reprodução ocorre em árvores específicas para nidificação.

A pesquisadora explicou que os incêndios queimam ninhos, ovos e filhotes, destruindo o habitat da ave. O fogo também altera as relações ecológicas, favorecendo predadores que antes não representavam perigo. Por ser uma espécie especializada, a arara-azul sofre os efeitos do fogo durante o incêndio e por muitos anos depois.

O Instituto Arara Azul monitora a espécie no Pantanal Sul desde 1990. O trabalho inclui identificação, cadastramento e acompanhamento de ninhos naturais e artificiais, além do monitoramento de ovos e filhotes durante todo o ciclo reprodutivo. Os dados coletados mostram que os incêndios recentes reduziram o número de casais reprodutivos e o sucesso reprodutivo da população.

“Observamos uma grande diminuição do número de casais se reproduzindo e, consequentemente, do sucesso reprodutivo por conta dos grandes incêndios”, afirmou Neiva. Além das perdas diretas, a saúde das aves foi afetada. Foram identificados problemas como lesões de pele, baixo desenvolvimento dos filhotes e aumento de casos de nanismo. Antes dos incêndios, cerca de 7% das araras monitoradas tinham essa condição. Depois, o problema se tornou mais frequente.

A arara-azul havia saído da lista nacional de espécies ameaçadas em 2014, após décadas de trabalho de conservação. As ações incluíram instalação de ninhos artificiais, manejo de ninhos naturais e ampliação das áreas monitoradas. Essas medidas aumentaram a população da espécie no Pantanal e permitiram sua expansão para áreas de Cerrado próximas.

“Nós conseguimos melhorar o sucesso reprodutivo e aumentar o número de araras na natureza. Porém, os grandes incêndios afetam fortemente uma espécie extremamente especializada e dependente do habitat. Por isso ela volta para essa lista”, disse Neiva Guedes. Para ela, o retorno à lista reforça a necessidade de investimentos contínuos em conservação, pesquisa e monitoramento. A classificação também pode ajudar a fortalecer políticas públicas e planos de manejo coordenados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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