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Estado revisa contratos com empreiteira investigada

O governo de Mato Grosso do Sul anunciou, no fim da tarde desta quinta-feira (14), que iniciou a revisão e fiscalização dos contratos firmados com a Construtora Rial Ltda. A empreiteira é investigada na Operação “Buraco Sem Fim”, que apura suspeitas de fraudes em contratos de tapa-buraco em Campo Grande.

A medida foi tomada após reportagem do Campo Grande News mostrar que o ex-diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), Rudi Fiorese, autorizou ao menos R$ 15,8 milhões em empenhos, reajustes e aditivos em favor da empresa entre fevereiro e maio deste ano.

Em nota, a Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística) informou que os contratos estaduais com a construtora não são alvo da investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção). Apesar disso, a secretaria decidiu ampliar os mecanismos de controle e acompanhamento.

Segundo a pasta, os acordos envolvem serviços de manutenção e conservação rodoviária, considerados necessários para garantir a segurança e a trafegabilidade das estradas estaduais. “O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Seilog, informa que já iniciou rigoroso processo de revisão e fiscalização dos contratos vigentes com a empresa investigada no âmbito da operação Buraco Sem Fim”, diz a nota.

A secretaria destacou que o reforço na fiscalização busca assegurar a correta aplicação do dinheiro público. A revisão ocorre mesmo sem a inclusão dos contratos estaduais na investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

Os valores autorizados por Fiorese na Agesul incluem contratos para manutenção de rodovias em Três Lagoas e Camapuã, além de obras de drenagem e pavimentação no Bairro Otaviano Pereira, em Jaraguari. Dados do Diário Oficial do Estado mostram que, apenas em fevereiro, a Agesul autorizou empenhos de R$ 1,5 milhão, R$ 500 mil, R$ 622 mil, R$ 1,1 milhão, R$ 85 mil e R$ 1,2 milhão para contratos com a Rial. Em março, novos empenhos superaram R$ 6 milhões. Em abril, foi autorizado mais R$ 1 milhão para a obra em Jaraguari.

O primeiro aditivo após a posse de Fiorese foi assinado em 9 de fevereiro, sete dias depois de sua nomeação. O documento acrescentou R$ 1,5 milhão ao contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas. O termo foi assinado por Fiorese e pelo empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Rial, que está preso preventivamente.

Fiorese também assinou a renovação excepcional de contratos de 2021 para manutenção de vias em Camapuã e Três Lagoas, ampliando a atuação da empresa por mais 12 meses. No total, os contratos atualizados com a Rial somam R$ 27,7 milhões, mas os pagamentos dependem da execução dos serviços.

Operação “Buraco Sem Fim”

A Operação “Buraco Sem Fim” investiga suspeitas de manipulação de medições, pagamentos por serviços não realizados e desvios de recursos em contratos da Prefeitura de Campo Grande. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), os contratos sob análise somam R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025.

A investigação resultou na prisão preventiva de sete pessoas, incluindo Rudi Fiorese, empresários ligados à Rial e servidores públicos da área de tapa-buraco da Capital. Durante a operação, foram apreendidos R$ 429 mil em dinheiro vivo, parte na casa do empresário Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, pai do dono da construtora, e R$ 186 mil na residência de Fiorese.

Na quarta-feira (13), o juiz Francisco Soliman manteve as prisões preventivas durante audiência de custódia. As defesas dos investigados alegam falta de acesso integral aos autos e pedem a revogação das prisões.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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