A pausa de nove dias para a Data Fifa deu um novo ânimo ao técnico Dorival Júnior no Corinthians.
O treinador conseguiu um alívio depois de enfrentar semanas de forte pressão, que inclusive colocaram seu cargo em risco. A interrupção no calendário fez com que a diretoria do clube refletisse e listasse pontos que acabaram por fortalecer a decisão de mantê-lo no comando da equipe.
Nos bastidores, a avaliação é que Dorival continua sendo a melhor opção disponível no mercado. Os dirigentes acreditam que possíveis substitutos não teriam condições de oferecer, atualmente, o mesmo que ele apresentou em menos de um ano de trabalho.
Nomes como Tite e Fernando Diniz foram considerados, mas não foram vistos como capazes de promover uma melhora imediata no desempenho do time. Juan Pablo Vojvoda, por sua vez, foi avaliado como um profissional sem o perfil adequado para o atual elenco e sem a experiência necessária para assumir o Corinthians neste momento.
Até mesmo entre os integrantes da diretoria que estavam insatisfeitos com a queda no rendimento da equipe, houve uma mudança de opinião. Internamente, cresceu a ideia de que, além da comissão técnica, os jogadores também precisam arcar com mais responsabilidade pelos resultados obtidos.
O executivo de futebol Marcelo Paz teve um papel fundamental na decisão de manter Dorival durante o período de pressão. Ele argumentou que dar continuidade ao trabalho atual é o caminho mais seguro para conseguir bons resultados.
O calendário também foi um fator considerado. O Corinthians terá uma sequência importante de jogos nos próximos dois meses, e a diretoria avalia que fazer uma mudança no comando técnico agora seria arriscado.
Até a pausa para a Copa do Mundo, o time disputará a quinta fase da Copa do Brasil, contra o Barra-SC, além de seis rodadas da fase de grupos da Libertadores. O torneio continental é o principal objetivo do clube nesta temporada.
Em conversas internas, Dorival expressou confiança em conseguir levar o Corinthians longe nas competições eliminatórias. Ele também destacou o Campeonato Brasileiro como um grande desafio, principalmente pela necessidade de regularidade ao longo de muitos jogos – razão pela qual ele cobra contratações com frequência.
Na visão do técnico, não é possível esperar um alto nível de desempenho sem que o elenco tenha uma qualidade mínima necessária.
Apesar de concordar com a decisão da diretoria, há um certo desconforto interno com algumas declarações públicas feitas por Dorival. No entanto, esse assunto já é considerado superado, já que a relação entre a comissão técnica e os dirigentes é vista como positiva nos bastidores.
Dorival também deixou claro seu desejo de manter a base do elenco até o final da temporada, incluindo jogadores como André, Breno Bidon e Yuri Alberto. A diretoria, porém, reconhece que pode ser difícil segurar esses atletas diante de uma janela de transferências no segundo semestre que historicamente é mais movimentada.
Diante disso, a avaliação dentro do clube é que o ideal é manter o treinador até a Copa do Mundo. Se o desempenho da equipe não for satisfatório, a pausa para o Mundial poderá ser usada para uma nova análise sobre o trabalho que vem sendo realizado.
A questão financeira também influenciou a decisão. A multa para rescisão do contrato de Dorival Júnior é de três salários, um valor que está em torno de R$ 8 milhões.
A situação do Corinthians segue sendo acompanhada de perto pela torcida, que espera que a estabilidade no comando técnico se traduza em melhores resultados dentro de campo. Os próximos jogos serão decisivos para confirmar se a aposta na continuidade de Dorival era realmente o melhor caminho a seguir.
