A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a produção no Brasil da vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (4).
A liberação é vista como um passo para ampliar o acesso ao imunizante no país, principalmente em áreas onde a doença avança. A vacina, chamada Butantan-Chik, já havia sido aprovada no ano passado e foi a primeira contra chikungunya validada no mundo. Com a produção nacional, a expectativa é reduzir custos e facilitar a distribuição pelo SUS.
O diretor do Butantan, Esper Kallás, afirmou que a fabricação local permite oferecer um produto mais acessível sem perda de qualidade. Resultados de um estudo publicado na revista The Lancet mostraram que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes. A proteção se manteve por pelo menos seis meses após dose única.
O perfil de segurança foi avaliado em testes com mais de 4 mil pessoas. Os efeitos colaterais foram leves, como dor de cabeça, febre, fadiga e dores no corpo. Há restrições: a vacina é indicada para pessoas entre 18 e 56 anos e não pode ser aplicada em gestantes, imunossuprimidos ou imunodeficientes, por ser feita com vírus atenuado.
Antes da autorização para produção nacional, o Ministério da Saúde iniciou uma estratégia piloto em municípios com alta incidência, e cerca de 23 mil brasileiros receberam a dose.
Cenário em Mato Grosso do Sul
O avanço da vacina ocorre em meio a um momento de alerta no estado. Dados da SES mostram que Mato Grosso do Sul registrou 5.214 casos confirmados de chikungunya em 2026, além de 8.894 casos prováveis. O boletim da 16ª semana epidemiológica foi divulgado na quarta-feira (30).
O levantamento confirma 14 mortes nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim e Fátima do Sul. Outros dois óbitos estão sob investigação. A maioria das vítimas tinha comorbidades. Outro dado é o número de 52 gestantes infectadas no estado.
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya causa febre alta, dores intensas nas articulações, manchas na pele e cansaço extremo.
Situação da dengue
O mesmo boletim indica um cenário mais controlado para dengue. Mato Grosso do Sul registra 4.779 casos prováveis e 655 confirmações, sem mortes. Nos últimos 14 dias, cidades como Nioaque, Pedro Gomes, Corumbá, Amambai, Bonito e Três Lagoas apresentaram baixa incidência.
Na vacinação, o estado aplicou 223.322 doses contra dengue, de um total de 241.030 enviadas pelo Ministério da Saúde. O esquema prevê duas doses, com intervalo de três meses, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A SES reforça que eliminar água parada ainda é a medida mais eficaz.
